Semicondutores: Qual o futuro da indústria?

*por José Scodiero

A indústria de semicondutores tem um lema: quanto menor, mais rápido e mais barato, melhor. Com essa mentalidade, os pequenos chips foram ganhando espaço pelo mercado de tecnologia e se tornaram um motor essencial para o crescimento econômico mundial. Dominado principalmente pelos EUA, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura e União Europeia desde 1960, esse mercado tem um potencial brilhante de crescimento, principalmente com o aumento na demanda de semicondutores para indústrias de dispositivos móveis e inteligentes, por exemplo.

Não é à toa que esse mercado seja reconhecido como um dos mais importantes para as economias modernas: esses pequenos chips fazem parte de núcleos essenciais de inúmeros dispositivos tecnológicos de ponta que vão desde telefones inteligentes e smart TVs até dispositivos médicos e sistemas militares. Inclusive, é a partir dos avanços feitos nas tecnologias de semicondutores que foram desenvolvidos pequenos e caseiros computadores, equipamentos de telecomunicação digital, robôs industriais e até equipamentos de controle de processos.

A projeção é que esse mercado deve testemunhar um crescimento razoável nos próximos anos, podendo atingir o número de US$655.6 bilhões em 2025, número que em 2015 estava em torno de US$342.7 bilhões. Mas apesar dos números chamativos, essa é uma projeção menor de crescimento do que as anteriores.

Em compensação, as expectativas segmentadas não desapontam e mostram crescimentos acima da média para áreas como, por exemplo, a Internet das Coisas. A projeção para os mercados de semicondutores e sensores para IoT é de US$114,2 bilhões em 2025, sendo que hoje esse número é apenas US$27,6 bilhões. As oportunidades de uso de semicondutores em dispositivos de IoT são impulsionadas, principalmente, pelo grande volume de dados sendo gerados todos os dias.

Para a próxima década, especialistas acreditam que as principais oportunidades para esse mercado giram em torno da adoção da tecnologia 5G para celulares, que vai demandar processadores multicore de alta performance. Um dos principais desafios é a adequação da banda através do uso de antenas para smartphones, além de novos materiais que precisarão ser desenvolvidos para que essas antenas suportem a largura necessária de banda. Mesmo com o amadurecimento da indústria de semicondutores, as inovações não estão desacelerando. Pelo contrário, serão cada vez mais rápidas nos próximos anos.

Devemos lembrar que a indústria de semicondutores é extremamente segmentada e trata-se de um setor que demanda o uso intensivo de capital, de alta tecnologia e do uso de mão de obra altamente capacitada. O ciclo de fabricação de semicondutores é relativamente longo, e atualmente está concentrado em poucas empresas localizadas, em sua maioria, na Ásia, onde se localizam os grandes desenvolvedores e também a manufatura de produtos eletrônicos.

O Brasil tem desenvolvido programas de incentivo ao desenvolvimento e a produção de semicondutores. Entretanto, por se tratar de um setor que depende de grandes incentivos governamentais e da formação de um ecossistema no qual existam fornecedores, mão de obra, tecnologia e investimento de capital significativo, ainda não foi possível inserir o país no ranking global dos fabricantes de semicondutores.



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