Inovação – A revolução agora vem de baixo

*por José Scodiero

A variedade de feiras e eventos de tecnologia ao redor do mundo é grande. Estando nesta indústria já há muitos anos, estava habituado a ver, sim, muita coisa interessante pelo caminho. Mas há muito que não presenciava o nascimento de algo que alterasse a dinâmica de toda a cadeia de criação de um segmento. Até que veio a CES 2016, que aconteceu entre os dias 6 e 9 de janeiro, em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Os números da CES são colossais – Mais de 3.800 expositores, cerca de 225 mil metros quadrados de espaço para exposições e mais de 170.000 profissionais da indústria, incluindo mais de 50.000 vindos de fora dos Estados Unidos. Destacar-se em eventos desse porte, até um passado muito recente, só estava ao alcance das gigantes da tecnologia. Eram tempos da chamada inovação “top down”, onde as novidades mais impressionantes que chegavam a nós vinham de grandes empresas internacionais como IBM, Intel, Microsoft, Oracle, HP e outras. Ou seja, de cima para baixo.

O evento deste ano trouxe uma mudança de paradigma e uma constatação – vivemos agora o tempo da inovação “bottom up”. A CES 2016 esteve tomada pelas startups, muitas delas novas, com menos de 2 anos de existência! Isso significa que a velocidade entre o nascimento de uma ideia e a presença do produto no mercado final diminui drasticamente. O conservadorismo, no que se refere às inovações tecnológicas, está ficando para trás e isso é extremamente positivo para a indústria.

As gigantes da tecnologia, que perderam a onda de oportunidades que os negócios em mobile trouxeram, agora se mexem para não perder o que trará o IoT. Exemplo é a IBM, que em dezembro anunciou sua volta ao mercado de eletrônicos de consumo, mais de dez anos depois de vender sua divisão de computadores para a chinesa Lenovo.

Existem muitas empresas, fazendo as mesmas coisas em busca do próprio espaço no mercado da tecnologia. A concorrência é enorme, o que influi diretamente no aceleramento das inovações. É daí que virão as principais tendências a partir de agora. Só sobreviverão as ideias que forem acompanhadas de uma boa estrutura de negócios. Colaboração, em diversos níveis, pode ser a chave para o sucesso.



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