A Incorporação Passiva de Novas Tecnologias nos Jovens

As crianças e adolescentes de hoje em dia absorvem os novos conceitos tecnológicos sem nem entenderem de onde vem, como funcionam e quais suas aplicações práticas. A apresentação estratégica dessas mudanças permeia o entretenimento juvenil de diversas formas, como em filmes e brinquedos, produzindo uma familiaridade com essas inovações, o que cria uma maior mercadologia com esses produtos e aceitação de sua incorporação no meio social.

Uma técnica famosa do mercado indireto é o “product placement”, que consiste na locação de um item específico em locais de cena em que sua presença é notada, mas apenas na composição do ambiente, sem destacar-se sobre a narrativa. Um exemplo dessa prática foi a incorporação de um tablet no filme “Os Incríveis”, de 2004, do diretor Brad Bird. A empresa Apple tinha a ideia de instaurar esses dispositivos em seu catálogo, mas queria um feedback do público antes de investir pesado nele. Assim sendo, Steve Jobs, um dos responsáveis pela fundação da “Pixar Animation Studios”, estúdio que produziu o filme, e diretor-executivo da Apple na época, entrou em contato com a diretoria da companhia e conseguiu inserir o tablet em uma das passagens do filme, mais precisamente quando o “Sr. Incrível” (Craig T. Nelson) recebe um envelope misterioso e, ao abri-lo, o aparelho surge, dando instruções sobre uma missão ao herói. Com a resposta positiva da audiência, surgiu um dos mais utilizados gadgets da Apple, o IPad, lançado em 2010.

Outra forma de introduzir tecnologias ao cotidiano da nova geração é através da diversão e simplificação da mesma. Uma maneira de se fazer isso é com o drone (do inglês, zangão). Esses equipamentos foram criados e utilizados, primariamente, para missões públicas militares ou civis, com o objetivo de colocar poucos combatentes em risco em zonas de perigo e para uma patrulha silenciosa e precisa da movimentação dos alvos selecionados, recebendo a denominação oficial de VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado). Todavia, para tornar o produto mais aceitável ao público e capitalizar sobre ele, seu formato foi adaptado, com diminuição da aparelhagem anexa e diminuição do tamanho, para faze-lo comercializável com os civis.

Nos Estados Unidos, os drones viraram uma “febre”, com diversos voando pelas cidades apenas pelo prazer de pilotar e filmar de altas altitudes. Porém, tal acessibilidade sem controle já criou transtornos. A Casa Branca, moradia oficial dos presidentes norte-americanos, teve um incidente com um drone de um morador de Washington que deixou o aparato cair no gramado da moradia, interditando o local até a questão ser esclarecida. Ao mesmo tempo, os drones criaram novas diretrizes de negócio, como as entregas de produtos por essa via aérea. A Amazon, já no final do ano de 2016, realizou transportes à domicílio com esses aparelhos, uma forma de dinamizar o tempo de entrega e diminuir os custos operacionais.

Uma das formas mais eficientes de se tornar próximo ao jovem é pela via do entretenimento. O universo tecnológico entendeu o recado e está se moldando sob essa diretriz. Cada vez mais vemos filmes, séries, desenhos e brinquedos com mais fios, teclas, telas e circuitos. Os carrinhos e bonecas estão em extinção. A nova diversão está nos smartphones e tablets. É só olhar ao redor: com o que as crianças estão brincando?



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