O Governo e as Smart Cities – Medidas e Incentivos

No dia 2 de março deste ano,

o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) lançou uma pesquisa contextualizando e explicando o uso e incentivos estatais relacionados à Internet das Coisas (IoT) na criação de Cidades Inteligentes. Esse ato, que por muitos foi considerado inovador por parte do Estado, é uma continuação de uma série de projetos que envolvem as emergentes tecnologias que nascem esporadicamente no mercado.

Esse estudo, denominado Cartilha de Cidades, disseca o conceito de Internet das Coisas, direcionando-o às aplicações designadas para a formação de Smart Cities. Embasado nos dados fornecidos pela publicação acadêmica “Internet das Coisas: Um Plano de Ação para o Brasil”, o Fundo de Estruturação de Projetos do Banco (FEP) fornecerá subsídios ao Plano Nacional de IoT entre 2018 e 2022.

Assim como Gestão Pública, Transporte, Monitoramento de Tráfego, Segurança e Eficiência Energética, o tópico Cidades Inteligentes foi apontado, pelo BNDES e pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), como uma das áreas prioritárias de distribuição de incentivos e políticas públicas relativas ao desenvolvimento da IoT no País graças ao alto potencial monetário e social. O governo estima que, com esse tipo de evolução, o Brasil economize US$ 27 bilhões até 2025.

O material, que consta com alguns exemplos eficientes de implementações de IoT em segmentos diversos rentáveis à população, será constantemente atualizado pelas partes responsáveis para manter-se atualizado às voláteis demandas do mercado e aos avanços tecnológicos correspondentes.

Porém, esse não foi o primeiro incentivo governamental para a tecnologia inteligente. O Brasil já teve alguns programas envolvendo Smart Cities e IoT. Em setembro de 2017, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lançaram o programa “Rumo à Indústria 4.0.”, que promoveu, entre outubro e novembro do ano passado, workshops regionais para mais de 200 empresas participantes do Programa Brasil Mais Produtivo. Através dele, disseminou-se o conceito e tecnologias que envolvem a Indústria 4.0, rastreando o nível de maturidade das empresas nacionais e qual seria a trajetória adequada para sua incorporação no País.

Há também a “Política Nacional da Indústria 4.0”>, que está focada em cinco áreas pré-selecionadas da economia nacional que, segundo Guto Ferreira, presidente da ABDI, “o Brasil demonstra capacidade de ser líder global”, sendo elas o agronegócio, o automotivo, a têxtil, a defesa e os equipamentos médicos. Esses setores receberão novas linhas de financiamento para pesquisas e aquisições que visem o novo processo produtivo. Os cálculos da ABDI concluíram que essas evoluções gerarão uma economia anual de R$ 73 bilhões para o setor produtivo com a redução de custos.

Só a Vale S.A. poupou U$S 50,5 milhões com estratégias de digitalização de processos e inteligência artificial. O diretor de TI da multinacional, Gustavo Vieira, explicou como se deu essa economia e os seus próximos objetivos: “Uma de nossas ações foi aumentar em 30% a vida útil dos pneus dos caminhões que transportam minério depois que identificamos problemas com o uso de sensores. O grupo tem 400 caminhões e cada pneu custa US$ 70 mil. Só nessa área, deixamos de gastar US$ 5 milhões. Queremos, para 2018, enxugar US$ 100 milhões dos gastos através dessas novas tecnologias”.

Em Minas Gerais, temos um dos grandes exemplos de aplicação de IoT e IoT (Internet Industrial das Coisas) na unidade de autopeças da ThyssenKrupp. Com dois anos de existência, toda a fábrica constitui-se sobre os pilares da Quarta Revolução Industrial. A instalação produz 700 mil módulos por ano e conta com 72 funcionários. O diretor do local, Roberval Calca, ainda pontuou que o índice de refugo é baixo: “Se fosse uma fábrica convencional, precisaríamos de 200 colaboradores para elaborar a mesma quantidade de produtos”.

Conclusão

Investir na Internet das Coisas e na sua congruência com as Cidades Inteligentes se provou algo benéfico e eficiente tanto para o Estado como para o mercado e para a população civil, garantindo otimização e segurança em todas as etapas do processo produtivo e operacional, além de dinamizar tarefas e ações complexas para melhor aproveitamento por parte das pessoas envolvidas.
O governo deve, portanto, seguir sua linha de incentivos e expandi-la, focando em projetos cada vez mais inovadores e visionários, dando vida às realizações incríveis que apenas a tecnologia é capaz de nos dar.



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